SOPHIA DE MELLO BREYNER - AÇORES


Açores
H√° um intenso orgulho
Na palavra Açor
E em redor das ilhas
O mar é maior
Como num convés
Respiro amplid√£o
No ar brilha a luz
Da navegação
Mas este convés
√Č de terra escura
√Č de l√©s a l√©s
Prado agricultura
√Č terra lavrada
Por navegadores
E os que no mar pescam
S√£o agricultores
Por isso h√° nos homens
Aprumo de proa
E n√£o sei que sonho
Em cada pessoa
As casas s√£o brancas
Em luz de pintor
Quem pintou as barras
Afinou a cor
Aqui o antigo
Tem o limpo do novo
√Č o mar que traz
Do largo o renovo
E como num convés
De intensa limpeza
H√° no ar um brilho
De bruma e clareza
√Č conv√©s lavrado
Em plena amplid√£o
√Č o mar que traz
As ilhas na m√£o
Busc√°mos no mundo
Mar e maravilhas
Deslumbradamente
Surgiram nove ilhas
E foi na Terceira
Com o mar à proa
Que nasceu a m√£e
Do poeta Pessoa
Em cujo poema
Respiro amplid√£o
E me cerca a luz
Da navegação
Em cujo poema
Como num convés
A limpeza extrema
Luz de lés a lés
Poema onde est√°
A palavra pura
De um povo cindido
Por tanta aventura
Poema onde est√°
A palavra extrema
Que une e reconhece
Pois só no poema
Um povo amanhece"

de Paulo Borges

"Terrorismo? Horror? N√£o h√° terrorismo nem horror maior que o da cultura social dominante que te leva a crer que √©s um eu isolado, vulner√°vel e carente, separado dos outros, do cosmos e do infinito, quando na verdade n√£o tens princ√≠pio nem fim, √©s vasto e luminoso como o c√©u aberto e omniabrangente e omnipresente como o espa√ßo que a tudo abarca e impregna. N√£o h√° terror nem horror maior que a ignor√Ęncia.  

P.S. – Se achas estranho dizerem-te que √©s isto, v√™ bem se encontras e onde est√° o “eu” limitado, separado e independente que tu e os outros julgam existir. V√™ bem se isso que achas que √©s tem alguma forma ou caracter√≠stica objectiva, que seja mais do que uma constru√ß√£o mental."

Alberta Marques Fernandes

"Só somos insubstituíveis no coração de quem nos ama"

Mantras

【S√£o Francisco de Assis】➤ Quando n√£o h√° nada mais a ser dito, silencia. Quando n√£o h√° mais nada a ser feito, permitas apenas ser, apenas estar e fica na companhia do teu Cora√ß√£o e este indicar√° o momento apropriado para agires.

【Paulo Coelho】➤ H√° que lutar pelos sonhos, mas h√° que saber tamb√©m quando certos caminhos se mostram imposs√≠veis √© melhor guardar as energias para percorrer outras estradas.

LadyDi 20 anos depois


1 de Setembro, o teu dia para Sempre Vóvó

As saudades sufocam. A cada ano que passa mais orgulho tenho em ti, mais quero ter a tua garra, o teu carinho nas atitudes, o teu gosto em cozinhar para nos mimar, a justi√ßa que te era fiel. V√≥v√≥, pelas tuas palavras, pelas mil e uma hist√≥rias, pela sabedoria das palavras certas, pela humildade, pelo sexto sentido apuradisdimo, pela retid√£o, pela poder da uni√£o, pelo sil√™ncio acolhedor e por tanto que descubro de ti mesmo n√£o te vendo, serei sempre grata por seres a minha V√≥v√≥. Saudades 

aproveitar a vida

Estou aqui numa casinha, num sítio longe da minha casa mesmo. Da minha cama, pela janela, só vejo duas paredes: uma posta de uma determinada maneira e outra posta de outra maneira. São feias, estão sujas e nelas bate sombra. E pronto. Tudo o que é muito bonito, ou quase bonito, parece obrigar a fazer alguma coisa, nem que seja andar por aí a dar valor, ou a aproveitar. Mas assim posso perdoar-me, descansar, por finalmente viver apenas do que há dentro de mim.
Essa coisa horrorosa do 'aproveitar a vida' no sentido em que se diz. Como se a vida fosse não sei quê e fosse esse não sei quê que devêssemos aproveitar.

lobo sem capuchinho


as Pessoas

"Durante a nossa vida:
Conhecemos pessoas que vêm e que ficam,
Outras que vêm e passam.
Existem aquelas que,
Vêm, ficam e depois de algum tempo se vão.
Mas existem aquelas que vêm e se vão com uma enorme vontade de ficar..."

Das rela√ß√Ķes humanas

"As pessoas conscientes e maduras compartilham a sua plenitude, não trazem sombras de egoísmo, nem vazios que outros devam preencher.

Os relacionamentos maduros se cuidam e, por sua vez, permitem que cada um considere o seu próprio crescimento, sentindo-se livre e sendo, ao mesmo tempo, parte de um projeto em comum."

MEC


«Um dia somei tudo o que fa√ßo para depois n√£o me sentir culpado a tudo aquilo que fa√ßo para tentar suavizar as culpas que j√° sinto e o resultado foi todo o tempo que tenho.»

«dar √†s coisas a import√Ęncia que realmente t√™m»

... três premissas importantes a seguir:

Saber avaliar os acontecimentos com uma visão ampla РTer inteligência emocional para avaliar a situação no seu todo e de longe e não apenas um determinado episódio negativo.

Desdramatizar – Evitar converter um problema real num drama.

Ter uma rea√ß√£o proporcional ao acontecimento – para isso h√° que recorrer √† aprendizagem ganha com a experi√™ncia de vida, um saber acumulado que foi sendo depositado ao longo da sua hist√≥ria e que lhe permite perceber a real import√Ęncia das coisas e a reagir em conformidade.

Enrique Rojas


AS

"Felicidade ou paz n√≥s as constru√≠mos ou destru√≠mos; aqui, o nosso livre-arb√≠trio supera a fatalidade do mundo f√≠sico e do mundo do proceder; toda a experi√™ncia que vamos tendo, mesmo parecendo negativa, a podemos transformar em positiva" 

- Agostinho da Silva, Só Ajustamentos

da desilus√£o com cada vez mais

'A forma como as pessoas nos tratam é o Karma delas. A forma como reagimos é o nosso.'

Dalai Lama

dia da criança de cada um

"Mais que tudo quero ter
Pé bem firme em leve dança
Com todo o saber de adulto
Todo o brincar de criança"

~ Agostinho da Silva

Alimentar o Amor

Come√ßar √© f√°cil. Acabar √© mais f√°cil ainda. Chega-se sempre √† primeira frase, ao primeiro n√ļmero da revista, ao primeiro m√™s de amor. Cada come√ßo √© uma mudan√ßa e o cora√ß√£o humano vicia-se em mudar. Vicia-se na novidade do arranque, do in√≠cio, da inaugura√ß√£o, da primeira linha na p√°gina branca, da luz e do barulho das portas a abrir. 
Come√ßar √© f√°cil. Acabar √© mais f√°cil ainda. Por isso respeito cada vez menos estas actividades. Aprendi que o mais natural √© criar e o mais dif√≠cil de tudo √© continuar. A actividade que eu mais amo e respeito √© a actividade de manter. 
Em Portugal quase tudo se resume a come√ßos e a encerramentos. Arranca-se com qualquer coisa, de qualquer maneira, com todo o aparato. √Ä m√≠nima comich√£o aparece uma «iniciativa», que depois n√£o tem prosseguimento ou perseveran√ßa e cai no esquecimento. Nem damos pela morte. 
√Č por isso que eu hoje respeito mais os continuadores que os criadores. Criadores n√£o nos faltam. Chefes n√£o nos faltam. Faltam-nos continuadores. Faltam-nos tenentes. Her√≥is n√£o nos faltam. Faltam-nos guardi√Ķes. 

√Č como no amor. A manuten√ß√£o do amor exige um cuidado maior. Qualquer palerma se apaixona, mas √© preciso paci√™ncia para fazer perdurar uma paix√£o. O esfor√ßo de fazer continuar no tempo coisas que se julgam boas — sejam amores ou tradi√ß√Ķes, monumentos ou amizades — √© o que distingue os seres humanos. O nascimento e a morte n√£o t√™m valor — s√£o os fados da animalidade. Procriar √© bestial. O que √© lindo √© educar. 
Estou um pouco farto de revolucion√°rios. Sei do que falo porque eu pr√≥prio sou revolucion√°rio. Como toda a gente. Mudo quando posso e, apesar dos meus princ√≠pios, n√£o suporto a autoridade. 

√Č t√£o f√°cil ser rebelde. Pica t√£o bem ser irreverente. Criar √© t√£o giro. As pessoas adoram um goz√£o, um malcriado, um aventureiro. √Č o que eu sou. Estas cr√≥nicas provam-no. Mas queria que mostrassem tamb√©m que n√£o √© isso que eu prezo e que n√£o √© s√≥ isso que eu sou. 
Se eu fosse forte, seria um verdadeiro conservador. Mudar √© um instinto animal. Conservar, porque vai contra a natureza, √© que √© humano. Gosto mais de quem desenterra do que de quem planta. Gosto mais do arque√≥logo do que do arquitecto. Gosto de acad√©micos, de coleccionadores, de bibliotec√°rios, de antologistas, de jardineiros. 

Percebo hoje a raz√£o por que Auden disse que qualquer casamento duradoiro √© mais apaixonante do que a mais acesa das paix√Ķes. Guardar √© um trabalho custoso. As coisas t√™m uma tend√™ncia horr√≠vel para morrer. Salv√°-las desse destino √© a coisa mais bonita que se pode fazer. Haver√° verbo mais bonito do que «salvaguardar»? √Č f√°cil uma pessoa bater com a porta, zangar-se e ir embora. O que √© dif√≠cil √© ficar. Isto ensinou-me o amor da minha vida, rapariga de esquerda, a mim, rapaz conservador. √Č por esta e por outras que eu lhe dedico este livro, que escrevi √† sombra dela. 
Preservar √© defender a alma do ataque da mat√©ria e da animalidade. Deixadas sozinhas, as coisas amarelecem, apodrecem e morrem. N√£o h√° nada mais f√°cil do que esquecer o que j√° n√£o existe. Come√ßar do zero, ao contr√°rio do que sempre pretenderam todos os revolucion√°rios do mundo, √© gratuito. Faz com que n√£o seja preciso estudar, aprender, respeitar, absorver, continuar. Criar √© f√°cil. As obras de arte criam-se como as galinhas. O dif√≠cil √© continuar. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'As Minhas Aventuras na Rep√ļblica Portuguesa'

crescer com medo


de força

"Em mim tenho o mundo inteiro 
e mais que tudo as estrelas
√© procur√°-las no c√©u 
o que me impede de v√™-las" 

РAgostinho da Silva, Quadras Inéditas, p.39.