açores, com saudades

Açores
Há um intenso orgulho
Na palavra Açor
E em redor das ilhas
O mar é maior
Como num convés
Respiro amplidão
No ar brilha a luz
Da navegação
Mas este convés
É de terra escura
É de lés a lés
Prado agricultura
É terra lavrada
Por navegadores
E os que no mar pescam
São agricultores
Por isso há nos homens
Aprumo de proa
E não sei que sonho
Em cada pessoa
As casas são brancas
Em luz de pintor
Quem pintou as barras
Afinou a cor
Aqui o antigo
Tem o limpo do novo
É o mar que traz
Do largo o renovo
E como num convés
De intensa limpeza
Há no ar um brilho
De bruma e clareza
É convés lavrado
Em plena amplidão
É o mar que traz
As ilhas na mão
Buscámos no mundo
Mar e maravilhas
Deslumbradamente
Surgiram nove ilhas
E foi na Terceira
Com o mar à proa
Que nasceu a mãe
Do poeta Pessoa
Em cujo poema
Respiro amplidão
E me cerca a luz
Da navegação
Em cujo poema
Como num convés
A limpeza extrema
Luz de lés a lés
Poema onde está
A palavra pura
De um povo cindido
Por tanta aventura
Poema onde está
A palavra extrema
Que une e reconhece
Pois só no poema
Um povo amanhece
Sophia de Mello Breyner,
O Nome das Coisas, Morais Editores, Lisboa, 1977

escrito nas estrelas

“Cada volta que o ponteiro do relógio dá

Acelera o passo da minha vida

Encurta minha história e antecipa meu fim

Que tem hora marcada pra chegar

Mas que eu desconheço

 

Cada um de nós é como um livro

Que guarda sua própria história

Com início, meio e fim

Nosso corpo é só uma casa onde a alma habita

E a morte é o último vôo de nossa alma

Que parte por não caber mais nessa casa

Como se quisesse começar uma nova história, um novo livro

 

Cada minuto que passa pode ser tudo que me resta para viver

Mas eu desperdiço o tempo como se ele fosse infinito

Penso, logo sei que existir é uma circunstância

Que a vida acontece num sopro de Deus

E a chama permanece acesa enquanto estamos vivos

 

Cada pessoa tem uma criança aprisionada dentro de si

A criança que fomos nunca muda

Nosso corpo é que envelhece ao redor dela

Eu queria viver minha infância toda outra vez

Mas a ampulheta do tempo eu não posso virar”

 

 

Pedro Cassiano Aguillar

“Todos nós queremos ser encontrados”.
-Encontros e Desencontros-

Será eterna Agustina Bessa-Luís

“Que é amar senão inventar-se a gente noutros gostos e vontades? Perder o sentimento de existir e ser com delícia a condição de outro, com seus erros que nos convencem mais do que a perfeição?”

“As palavras não significam nada se não forem recebidas como um eco da vontade de quem as ouve.”


apego

“Nossos problemas existem devido a um apego apaixonado às coisas e a desejos que nunca se satisfazem por completo, então geram ainda mais angústia. Nós percebemos as coisas como entidades permanentes. No esforço de conseguir estes objetos do nosso desejo, empregamos a agressão e a competição como ferramentas supostamente eficazes, e nos destruímos cada vez mais no processo.”
-Dalai Lama-
… “aquilo que foi abolido por dentro retorna por fora”.
-Sigmund Freud-

mais karma

Costuma-se dizer que: “se tentarmos curar um coração quebrado, também podemos acabar em pedaços.”

sou mulher criança

“Sou uma mulher madura
Que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura
Que às vezes usa salto alto
Sou uma mulher que balança
Sou uma criança que atura”

mais amor

“ (…) Apesar de todas as amizades, sempre na vida estamos sozinhos; o que é mais grave, mais doloroso, exactamente como o que é mais belo, passa-se apenas connosco. Entre um homem e outro homem há barreiras que nunca se transpõem. Só sabemos, seguramente, de uma amizade ou de um amor: o que temos pelos outros. De que os outros nos amem nunca poderemos estar certos”.

(Agostinho da Silva, “Sete Cartas a um Jovem Filósofo )

dia da criança

“O futuro do mundo depende da felicidade das crianças do presente” 

Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos. 
Não tinha mudado nada... 
É essa a vantagem de saber tirar a máscara. 
É-se sempre a criança, 
O passado que foi 
A criança. 
Depus a máscara, e tornei a pô-la. 
Assim é melhor, 
Assim sem a máscara. 
E volto à personalidade como a um términus de linha.

Álvaro de Campos