
Conheci a Ritinha através de amigos em comum, em Matosinhos, numa pista de dança de uma discoteca cujo nome já nem recordo. Mas recordo-me, até hoje, de como estávamos vestidas, da cumplicidade à primeira vista e daquilo que lhe perguntei naquele dia: “a tua vida não tem stresses, pois não? Não róis as unhas! :)” Ao contrário do que fazia os outros pensar, a vida da Ritinha tinha, sim, muitos stresses.Daà em diante, fomos do mesmo dream team vimaranense durante mais de uma década. Travamos “guerras” dignas de tropas d’elite. Vivemos histórias que dariam para escrever um livro, algumas que ainda hoje me fazem rir e outras que talvez só o tempo nos tenha ensinado a compreender. A Ritinha era a Rapunzel na vida real. Tinha os cabelos loiros, fartos, os mais bonitos e bem tratados que conheci. Era delicada, divertida e demorava horas a preparar-se, como se morasse no centésimo piso de uma torre sem elevador.
Tinha um gosto especial pela roupa, acessórios, pelo detalhe, pelo bom gosto a preço justo. Pelas festas, pela preparação das festas, pela festa em si. Pela cor mais cool para as suas unhas de princesa e por aquele cheiro de arrasar que deixava no ar quando passava. Divertimo-nos muito. Chorámos muito. Engendrámos planos, adivinhámos fofocas e vivemos intensamente.
Nos tempos da faculdade, as 4as eram para os nossos rally-restaurantes e as 6as era sempre na Pavico, à mesma hora. Havia rotinas que simplesmente faziam parte de nós.
A Ritinha fazia anos a 1 de abril e eu a 2. Somos Ritas, de nome e de significado. Durante anos, o nosso R&R Anniversaire foi o festão do ano. Há mais de vinte anos já fazÃamos pandam na roupa, com estampados a condizer, ou cosÃamos à mão o nosso I Love 80s. E houve também aquela festa do bolo de coroa de ananás improvisado... O so simple.. as pumpkin…
A Ritinha perdeu o pai muito cedo. A sua vida não foi fácil, ao contrário do que muitos dos que nos rodeavam poderiam imaginar. Mas nunca se queixava. Parecia frágil, mas foi muito forte.
Era muito amiga. E amiga de tanta gente. A Ritinha era um doce de menina. A nossa loira mais pequena. A nossa SantaRiti.
Adorava gossip, na vida real e na ficção, assim como adorava a Burberry e um bom funkinho. Um dia, cheguei a lavar-lhe o cabelo e a pôr-lhe amaciador. Até hoje não sabemos bem porquê. Naquela idade tÃnhamos amnésia seletiva.
Fomos a concertos. Adorávamos Expensive Soul e O Amor é Mágico. E o que eu dava por one more time contigo.
Hoje foste embora e, ao recordar-te nas mil fotografias, nos posts dos tropas e em tantas outras recordações, dei por mim a recordar-nos: a tudo o que vivemos, às pessoas que fomos e àquelas que nos fomos tornando.
Gostava de te poder dar um abraço. Pedir-te desculpa por alguma coisa que possa ter feito e que te tenha magoado. Agradecer-te tantos momentos que partilhámos, os felizes e os infelizes, que foram tantos. Tantos que, na maioria das vezes, conseguimos virar a página e seguir em frente, mesmo que a cambalear.
Vivemos juntas uma fase da vida em que nem sempre era fácil encontrar o equilÃbrio entre a maturidade, a vontade de aproveitar a vida e a capacidade de não sermos injustas umas com as outras. Éramos novas. Inexperientes. Por vezes, manipuláveis. Estávamos a tentar descobrir quem éramos…
Hoje, com esta dor, penso em tudo o que ficou por dizer, nas pessoas que fizeram parte da nossa história e na fragilidade de tudo isto.
Pensei que ainda tinha tempo. Tempo para um reencontro, uma conversa, um abraço. Nem que fosse só por um bocadinho. Há um lugar especialmente especial, só nosso, só de nós as 4.
Gostava de poder voltar atrás. Não para mudar tudo o que vivemos, mas para poder voltar a viver alguns daqueles momentos sabendo o que sei hoje. Para não deixar para depois aquilo que afinal não podia esperar para sempre.
Hoje dói tudo..
Não merecias nada disto Ritinha 💔